Glaucia Smithson, líder regional de distribuição Ibero/Latam da AGCS e CEO da AGCS Re Brasil, conversou com o blog Sonho Seguro sobre como a pandemia tem afetado o mercado de resseguros no Brasil e no mundo. Acompanhe os principais trechos na entrevista abaixo:
Como a pandemia mudou o resseguro?
Todo o segmento segurador, incluindo o resseguro, foi fortemente impactado no ano de 2020 pela pandemia. No caso da AGCS, que atua com grandes riscos corporativos, sentimos o impacto principalmente em linhas de negócio fortemente afetadas pelos lockdowns e restrições quanto a aglomerações, como o setor de entretenimento, por exemplo. No Brasil e no mercado latinoamericano, onde atuamos com resseguro desde 2013, tivemos um resultado positivo no ano passado, ainda que com a diminuição de emissões de apólices para a cobertura de eventos, como citado. Os números foram equilibrados pois, como consequência da pandemia e de mudanças na legislação, mais empresas buscaram soluções de gestão de risco ao longo do ano, como nos casos dos seguros cibernéticos. Outro ponto bastante positivo é que a região manteve um bom ritmo no setor de infraestrutura, com a continuidade de importantes grandes obras, principalmente no México e na Colômbia, com consequências bastante positivas para as ressegurador mais tradicionais em nosso mercado.
Como foi 2020 para a AGCS e quais as perspectivas para 2021?
Em um ambiente extremamente desafiador em 2020, o Grupo Allianz demonstrou resiliência frente a uma crise de saúde sem precedentes e taxas de juros prolongadas. O desempenho financeiro no ano fiscal de 2020 foi notavelmente robusto em todos os segmentos de negócios, embora a pandemia Covid-19 tenha deixado sua marca, especialmente nas linhas comerciais de P&C. Globalmente, a AGCS teve um crescimento de 2,3% na emissão de prêmios brutos ( € 9,312 bilhões – 2020). No caso da AGCS Re Brazil, o volume de prêmios emitidos brutos de comissão de cedente atingiu o montante de R$ 429,1 milhões (R$ 401,4 milhões em 2019), um crescimento de 6% impulsionado por fatores como novos negócios, expansão de relações comerciais já existentes, precificação diligente, crescimento das operações internacionais e efeitos de câmbio. Para 2021 ainda veremos alguma exposição resultado de contratos multi-year na carteira de Entretenimento, porém com impacto financeiro muito menor do que em 2020.
Quais produtos tem tido aumento na demanda com a pandemia?
O segmento de cyber risks foi um dos que mais cresceu em 2020. Com a abrupta mudança das operações das empresas para o trabalho remoto, notamos um aumento exponencial de incidentes cibernéticos. Só no Brasil, por exemplo, foram cerca de R$ 3 bilhões perdidos em ataques cibernéticos nos primeiros 9 meses do ano passado. Além do aumento da vulnerabilidade de sistemas, as empresas também ainda buscam por essa proteção em linha com a LGPD, que a partir deste ano começará a impor multas e sanções às companhias que não se adequare m a seus termos. Desse modo, vemos para 2021 um aumento na demanda pelos seguros cibernéticos.
E como ficou o risco de danos, ou Property e Casualty (P&C)?
Em Property, o ano de 2020 apresentou uma tendência bastante diferente do usual. De acordo com a publicação “Covid-19: changing claims patterns”, a maioria das notificações de sinistros de lucros cessantes veio como decorrência dos lockdowns, e não dos tradicionais gatilhos de danos físicos. Importante citar que, no entanto, não há cobertura para lucros cessantes causados por lockdowns.