Artigo: Vamos falar de ideias e intra empreendedorismo?

Por Ismael Andrade, Superintendente de Estratégia e Inovação da Zurich no Brasil

Seguros não são commodities. A venda é consultiva, já que cada cliente, seja pessoa física ou jurídica, tem necessidades específicas de proteção. E, embora os produtos das seguradoras sejam parecidos, eles não são iguais. Por isso, como em qualquer mercado, destacam-se na indústria de seguros as empresas que oferecem os melhores produtos e serviços de forma diferenciada. É aí que entra a criatividade e a capacidade de inovar em um segmento que, à primeira vista, parece “comoditizado”.

Ao contrário da maior parte das corporações, estrangeiras ou brazucas, em que a capacidade de inovar vem de cima pra baixo, na Zurich o movimento também acontece na outra direção. Ou seja: funcionários de qualquer nível hierárquico livremente propõem ideias para seus líderes. E, como todo o time é comprometido com esse direcionamento da empresa de se diferenciar, o processo criativo é constantemente incentivado e está sempre aberto: todos podem fazer sugestões, sejam as relacionadas a algo novo, sejam as que proponham o aperfeiçoamento de processos já estabelecidos para clientes e parceiros estratégicos, como os corretores.

Esse processo simples tem um nome até meio complicado: intraempreendedorismo. Mas a mensagem por traz dessa palavra é de fácil compreensão: todos podem dar ideias. Afinal, a capacidade de observar e criar não é restrita apenas àqueles profissionais que trabalham nos departamentos de Inovação ou Marketing.

Ainda que a empresa onde eu trabalho seja inovadora e tenha seu dia a dia voltado para a simplificação de processos, quero aqui contar, para você leitor (e, quem sabe, com isso, te inspirar) sobre um programa instituído na companhia em agosto de 2020 e que, em poucos meses, gerou resultados importantes.

O nome da iniciativa – Central de Ideias – não poderia ser mais simples (sim, pois ainda existe o tabu de que as melhores ações inovadoras precisam ser complexas). A ação foi direcionada a todos os 1.500 funcionários da companhia no Brasil para estimular, ao mesmo tempo, a criatividade, a interação e o famoso “pensar fora da caixa”, mas de uma forma lúdica, por meio da gamificação.

Como surgiu o projeto

Falei antes que o fomento à criatividade na empresa não se restringe a áreas ou cargos específicos, certo? Prova disso é que a Central de Ideias nasceu de uma sugestão de dois funcionários.

Tínhamos percebido que precisávamos sistematizar a inovação, pois, antes disto, recebíamos muitas sugestões e sentíamos que precisávamos encontrar uma forma de administrar o recebimento das propostas, avaliá-las e dar feedbacks aos idealizadores, além de implementar as escolhidas.

Assim, após analisamos esse cenário, decidimos trabalhar com a plataforma de uma empresa especializada em soluções de intraempreendedorismo, a AEVO. A diretoria gostou tanto da proposta que, além de ela ter se tornado parte de um projeto maior e que envolve toda a empresa – o nosso Programa de Inovação –, tornou-se uma plataforma para a gestão da inovação na companhia.

Conhecendo as etapas da Central de Ideias

Os processos na Central de Ideias acontecem em cinco fases. Na primeira delas, lançamos um desafio aos colaboradores (“Zurichers”, como nós nos tratamos internamente), relacionado aos seguros de automóvel e residência e à nossa estratégia de atuação no mercado.

Apenas duas semanas após o lançamento, já somávamos cerca de 70 ideias cadastradas. Ao final, foram 139. Mas, mais que quantidade, reconhecemos a qualidade delas.

As propostas sugeridas passaram para a segunda fase, a da Célula de Inovação, na qual foram triadas e avaliadas. Já na terceira fase, denominada Idea Case, as sugestões foram submetidas à ótica de três visões: do cliente, do mercado e do negócio. 

Na quarta fase, de Avaliação, as sugestões eram expostas aos “sponsors” (as pessoas responsáveis pelos desafios), que as avaliaram a partir de critérios predeterminados, selecionando, assim, as melhores propostas. Em seguida, veio a fase de Validação, na qual as cinco ideias finalistas foram apresentadas por meios de Pitch Sessions.

A última fase é a etapa de Implementação em que ocorre a priorização das ideias que podem ser aprovadas ou não e enviadas para execução.

Depois de meses ricos e intensos, a certeza de crescimento do time

O formato do projeto permitiu interação entre as pessoas no aprimoramento das ideias inscritas. Tanto que, em um determinado momento, identificamos mais de 1,4 mil interações na plataforma, prova inequívoca de que o intraempreendedorismo esteve e está bastante presente entre nossos colaboradores.

A iniciativa foi considerada um sucesso, principalmente pela aprendizagem obtida pelo time ao longo de todas as cinco etapas, durante as quais nossos funcionários assumiram o protagonismo das situações, organizando-se e interagindo entre si. O ápice foram os pitches, durante os quais eles puderam colocar em prática a capacidade de síntese para apresentar seus projetos.

O fato é que o ganho de experiência e desenvolvimento profissional dos funcionários durante os sete meses de duração do primeiro desafio da Central de Ideias foi o maior saldo que colhemos.

Já estamos pensando no próximo desafio, mas aí é um capítulo que ainda não foi escrito e que terei o maior prazer de dividir com você numa próxima oportunidade.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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