Notícias mostram o fim das barreiras para a inovação do setor, com seguros para todos os bolsos

Processo já estava acelerado, mas agora ficou claro que o seguro que se deixar ficar velho, vai morrer, como sinaliza a nova campanha do Nubank

Um dos assuntos mais comentados em seguros neste mês veio do Nubank e da Porto Seguro, que lança em marco o seguro de automóvel por assinaturas. O que os dois tem em comum? A inovação. A venda final. Mais gente protegida. A reinvenção do setor de seguros. O fim do mimimi. De barreiras ao novo. De levar seguros para todos os bolsos. Assumir que este é o único caminho a seguir, como várias seguradoras, corretores e resseguradoras já se posicionaram.

As notícias veiculadas em 2021 sinalizam que nem mesmo se partidos políticos pedirem o cargo da titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Solange Vieira — que tem colocado em prática o que há anos se tentava –, nada será como antes. O setor mudou. Se caso voltar a ser presidido por corretores de seguros ou seguradores, o setor seguirá aprimorando a experiência dos novos hábitos do consumidor. Se não, morrerá de velho, como diz a nova campanha do Nubank.

Além do anúncio da Porto Seguro, a maior seguradora de auto do Brasil, com um produto inovador, antes temido por ser visto como um inimigo do seguro de carro tradicional, o Nubank, em parceria com a Chubb Seguros, anunciou que em menos de três meses conseguiu vender 90 mil apólices de seguros de vida com valor de coberturas em R$ 9 bilhões. Algo incrível, pois dificilmente alguém vende esta quantidade de seguros num prazo tão curto.

O fato gerou muitos elogios dos clientes e análises dos concorrentes. Ainda avaliando a estratégia do banco, as seguradoras de vida foram provocadas mais uma vez com uma campanha provocativa: “O seguro morreu de velho”. Se nao bastasse o tom da campanha, o banco digital atualizou os números, para deixar claro que não há engano: Agora são mais de 101 mil contratos ativos do Nubank Vida, administrado pela Chubb Seguros – o que totaliza uma cobertura que supera os R$ 10,5 bilhões.

O banco digital tem gerado muitas polêmicas, ao promover disrupções no setor financeiro. Basta fazer uma simples busca no Google com o nome Nubank e encontrará várias notícias. Levando-se em conta apenas jornais de primeira linha, saberá que “Nubank é avaliado em US$ 25 bilhões mesmo sem dar lucro algum”, “Nubank pretende contratar 2 mil pessoas negras até 2025”, “Nubank publica compromisso antiracista”, “Nubank capta US$ 400 mi e está entre instituições financeiras mais valiosas”, “Nubank chega a 25 milhões de clientes”, ‘O Nubank é uma ameaça’, diz presidente do Bradesco”e por ai vai.

Já nos comentários das redes sociais temos “… o Nubank é operado pelo Bradesco..”, escreve Gustavo Burrati no post de Vinicius Soares, um dos novos segurados de vida da Chubb via Nubank. Ele tece criticas ao setor de seguros e elogios aos serviços recebidos. “Como alguém pode achar normal o Nubank valer US$ 25 bilhões? Há algum tempo tentei contratar um seguro, tanto por meio das grandes seguradoras quanto de um banco, e minha experiência foi horrível. Inúmeros documentos solicitados, vários asteriscos na apólice para no final receber uma mensagem genérica: “Não é possível seguir com a contratação do seu seguro neste momento”. Não vou entrar no mérito dos processos seguidos pelas seguradoras, cada uma tem sua metodologia para avaliar a probabilidade de sinistro e determinar se aceitam ou não o risco”, dispara o head de produtos da Monetus.

Segundo ele, às 12h30 viu que a aba de seguros havia sido liberada no app. Às 12h40 conseguiu avaliar todas as coberturas oferecidas de forma clara. Às 12h45 o seguro estava contratado, pago com o saldo da NuConta, e a apólice ativa. “Zero estresse! Apenas 15 minutos para eu estar com uma apólice ativa. Em outros lugares, com 15 min eu ainda estaria na metade de um formulário gigante”, afirma.

Um elogio do próprio mercado de seguros veio de Diogo Arndt Silva, CEO da Lojacorr, maior rede de corretores independentes de seguros do Brasil. Ele contratou o seguro para conhecer melhor. No post, ele mostra a sua compra. Um valor mensal de R$ 45,38, com a informação do Nubank de que já está incluso neste valor a comissão do Nubank, que é uma taxa de 35% do pagamento mensal líquido, igual a R$ 16,17.

Vale mencionar que há tempos uma das principais pautas dos setor é sobre fazer a Susep, órgão regulador, desobrigar o corretor de divulgar o seu comissionamento. Se 35% de comissão do Nubank é considerado um percentual elevado, vale dizer que há parceiros que cobram até 60% para vender seguros de vida e acidentes pessoais.

“Precisamos repensar o funcionamento da indústria de seguros e novas formas de orquestrar o ecossistema em direção ao consumidor. Os consumidores clamam por transparência e relações de confiança. Na “Nova Economia” que emerge numa velocidade cada vez maior o “Nome do Jogo” é CONFIANÇA. A transparência gera confiança e a confiança é base para o desenvolvimento de qualquer relação pessoal ou profissional. Muitos viram a notícia de hoje que o Nu Bank conquistou 90 mil apólices de seguro de vida em apenas 3 meses de operação, resultado que muitas seguradoras demoraram décadas para alcançar”, recomenda o CEO da Lojacorr, que superou a marca dos R$ 735 milhões em vendas de produtos de 42 seguradoras parceiras, crescimento de 25% em relação a 2019. 

FenaPrevi: de abril a dezembro de 2020 foram pagas 23.503 indenizações

Para quem cobre o setor há tempos, como eu, gostaria de dizer que a notícia do Nubank confirmou a minha percepção. De que os brasileiros já tem noção da importância do seguro de vida. Ainda mais depois de um ano de pandemia, que já tirou a vida de mais de 250 mil pessoas no Brasil. Segundo o último levantamento da Federação Nacional de Previdência Privada (Fenaprevi), de abril a dezembro de 2020, quando as mortes por Covid no país eram de 150 mil, foram pagos 23.503 indenizações para clientes de seguro de vida, acidentes pessoais, prestamistas e planos de previdencia, o que resultou em quase R$ 1 bilhão em pagamentos. A pesquisa inclui 23 empresas, que representam 83% do seguro de pessoas.

Os dados da FenaPrevi falam por si. É preciso aumentar a base de clientes no Brasil, para que tantas famílias possam superar perdas. Muito já foi feito em educação financeira e muito ainda há de ser feito. Principalmente ser fácil contratar, ágil e com um preço que cabe no bolso. Muitos argumentam que a oferta do Nubank não é uma cobertura suficiente para amparar a família em caso de infortúnio. Pode ser que não e o valor da cobertura contratada está claro para o consumidor no aplicativo.

É como em saúde. Todos querem hospitais de primeira linha, mas o bolso de muitos só permite contratar serviços de telemedicina, com direito a alguns exames e quiçá uma internação por poucos dias. Pode não ser o produto ideal, mas é um começo. E se esta experiência for bem sucedida, o setor conquistou um cliente para diversos outros produtos. E assim o ciclo virtuoso será estimulado e o Brasil sairá da incomoda posição de “patinho feio” no mercado mundial quando se analisa o consumo per capita de seguro de vida e reservas para a aposentadoria.

“A expressão ‘o seguro morreu de velho’ nunca foi tão verdadeira. O Nubank Vida representa a evolução desse produto, com linguagem simples, contratação 100% digital, transparente e personalizável, em total contraste às velhas e ultrapassadas práticas do mercado de seguro de vida, ainda dominado pelos bancos tradicionais”, afirma Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank. “Nossa nova campanha mostra que é possível falar sobre seguro de vida de um jeito leve e descontraído, com toda a importância que esse produto tem como ferramenta de proteção financeira para diversas pessoas e famílias”.

Certamente vão surgir as críticas sobre Cristina Junqueira, que no ano passado disse no programa Roda Viva que “não dá para nivelar por baixo” , referindo-se à dificuldade de recrutar funcionários negros qualificados.  No entanto, ela já se desculpou e o banco criou um programa para contratar 2 mil pessoas negras até 2025.

Também já está na pauta a multa recebida pela Chubb de R$ 4 milhões do Procon de Minas Gerais depois de promover uma ação comercial para celular. Mas nada disso será mais um impeditivo para frear a inovação que levará o setor de seguros a conquistar seu espaço no cenário econômico e político nacional, sempre ressaltado pelo presidente da CNseg, a Confederação das Seguradoras, Marcio Coriolano: “O mercado mais que dobrou de tamanho em nove anos, saltando de R$ 125 bilhões em 2011 para R$ 273,1 bilhões em 2020, com uma taxa média geométrica de 8,1% no período. A volumosa arrecadação, que é um espelho da demanda crescente da população, torna o setor segurador o maior captador de poupança doméstica do País, com R$ 1,2 trilhão alocados no mercado financeiro. A cifra responde por 25% da dívida pública.”

Borá, temos muito trabalho pela frente. Foco, força e fé.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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