Como seguradoras ajudam em tragédias como a de Brumadinho

Carlos Portugal Gouvêa, professor da Faculdade de Direito da USP, doutor pela Universidade de Harvard e sócio do escritório PGLaw, publicou um artigo interessante no blog do Fausto Macedo, no Estadão. Ele afirma que uma das lições de casa que precisa ser feita pelo Brasil para evitar uma tragédia como a de Brumadinho (MG) é olhar como outros países gerenciam riscos catastróficos que afetam pessoas, empresas e meio ambiente. O rompimento da barragem da Vale  já deixou ao menos 37 mortos e cerca de 345 os desaparecidos.

O autor cita o Japão: a importância de que a população e o governo tenham seguros. No Japão, um dos fatores que leva à rápida recuperação de áreas devastadas é o fato de que população e governos têm seguros que protegem a vida e a propriedade dos moradores, assim como a infraestrutura pública. Como as indenizações são pagas pelas seguradoras, famílias e governos podem rapidamente começar os processos de recuperação, seja da saúde e do bem-estar das pessoas, seja da infraestrutura afetada.

As seguradoras, após pagarem as indenizações, cobram os valores pagos dos responsáveis pelo dano. O termo técnico é sub-rogação, que significa que a seguradora assume os direitos de cobrança que eram das vítimas da tragédia. Com mais recursos, experiência em processos judiciais e coordenação, as seguradoras chegam a acordos com os responsáveis de forma mais célere. As seguradoras também passam a estimular atividades de prevenção de acidentes, pois a redução de acidentes futuros aumenta sua lucratividade.

Segundo ele, uma sugestão para a região mineradora de Minas Gerais seria iniciar um programa governamental de seguros para desastres ambientais, beneficiando as famílias e as prefeituras das cidades em risco. Simplesmente acreditar que não teremos novos desastres é uma postura irrazoável. Os dados, infelizmente, indicam que o risco de desastres na região é grande, lamenta Gouvea em seu artigo.

Leia mais Tragédia de Brumadinho conta com seguro

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

1 COMENTÁRIO

  1. Muito obrigada pela matéria esclarecedora, que está em pauta e gerando muitos questionamentos no que se diz respeito as responsabilidades decorrentes da tragédia. Precisamos focar na realidade de países que possuem regramento mais eficiente nas tratativas de tragédias como essa e no que pode ser fomentado em nosso país para que a recuperação pós tragédia seja mais rápida e que sejam evitadas com mais responsabilidade e efetividade.

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