Swiss Re se torna uma das maiores em grandes riscos ao firmar joint venture com Bradesco

O Bradesco divulgou nesta manhã a venda da carteira de grandes riscos para a Swiss Re. Mais detalhes serão fornecidos na coletiva de imprensa prevista para as 13h30 desta quinta-feira, em São Paulo. O comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informa que a Bradesco Seguros e a Swiss Re Corporate Solutions firmaram negócio pelo qual a Swiss Re Corporate Solutions Brasil Seguros assumirá as operações de seguros de P&C (Property and Casualty) e de transportes da Bradesco Seguros passando a ter acesso exclusivo aos clientes Bradesco para explorar a comercialização dos seguros de grandes riscos.

A Bradesco Seguros passará a deter participação acionária de 40% na Swiss Re Corporate Solutions Brasil e os demais 60% de participação acionária permanecerão com a sua controladora Swiss Re Corso. A Swiss Re Corporate Solutions Brasil será a plataforma exclusiva para explorar os produtos de seguros de grandes riscos no Brasil.

Como resultado da transação, a Swiss Re Corporate Solutions Brasil se tornar uma das líderes no mercado de seguradoras comercias de grandes riscos do País. A transação está sujeita à aprovação das autoridades competentes e demais condições contratuais usuais para este tipo de transação. A Bradesco Seguros contou com a assessoria financeira exclusiva do Banco Bradesco BBI e assessoria jurídica do Mattos Filho Advogados.

Agostino Galvagni, CEO da Swiss Re Corporate Solutions e membro do Comitê Executivo do Grupo Swiss Re, comentou em comunicado distribuído à imprensa: “Temos grande satisfação em unir forças com a Bradesco Seguros para criar uma das cinco maiores seguradoras comercial de grandes riscos no mercado brasileiro. O contrato contribui para a execução da nossa estratégia de expandir nossa plataforma e fortalecer nossa posição de mercado na América Latina. O conhecimento local e os canais de distribuição da Bradesco Seguros, somados à nossa capacidade e expertise global de subscrição, nos permitirão entregar produtos de primeira linha aos nossos clientes brasileiros e internacionais.”

Randal Luiz Zanetti, presidente do Grupo Bradesco Seguros, afirmou no mesmo comunicado: “Esta transação confirma a visão estratégica da Bradesco Seguros de proporcionar a seus clientes o maior e melhor leque de produtos em todas as linhas de seguros. A escolha da parceria com a Swiss Re Corporate Solutions está alinhada com a nossa estratégia na medida em que nos agrega ainda mais expertise e amplitude. Nossa participação relevante na joint venture, reforça nossa convicção de que o seguro de grandes riscos é um negócio promissor no Brasil.”

A rede de distribuição da Bradesco Seguros é composta por mais de 4.600 agências do Banco Bradesco em todo o Brasil e cerca de 40 mil corretores e agentes de seguros cadastrados na Bradesco Seguros. Como parte da transação, a equipe de profissionais da Bradesco Seguros, responsável pelo negócio de grandes riscos em São Paulo e no Rio de Janeiro, irá integrar a SRCSB.

Segundo fontes, o contrato foi assinado na terça-feira à noite e até agora todos estão comemorando a conclusão da negociação que era prevista para ser concluída no primeiro trimestre do ano, mas com a morte de Marco Antonio Rossi, em novembro passado, que comandava as negociações, tudo foi suspenso. A conclusão da transação está sujeita à aprovação das autoridades competentes e demais condições precedentes usuais.

De acordo com fontes, a disputa pela área de grandes riscos foi tão acirrada como foi a do Itaú Unibanco, que acabou sendo adquirida pela ACE, hoje Chubb, por R$ 1,5 bilhão, um ágio elevadíssimo segundo analistas, de quase quatro vezes o valor patrimonial. Em maio de 2015, a francesa AXA levou a carteira de grandes riscos da SulAmérica, por R$ 135 milhões.

Trata-se de um segmento importante dentro do setor, mas que enfrenta muitos desafios atualmente, com vendas estagnadas pela crise pela qual passa o Brasil. Além dos investimentos estarem travados há quase dois anos, os pedidos de indenização crescem com a elevação do número de acidentes e também pelos contratos interrompidos pelas investigações da Lava Jato. Muitos deles tinham seguro que garantiam os contratos, a conclusão das obras, riscos de engenharia e risco operacional.

No entanto, as expectativas da retomada dos investimentos em 2017 são grandes e as seguradoras já se organizam para estarem prontas para a retomada dos negócios. Há duas semanas, a seguradora italiana Generali fez um coquetel em São Paulo para anunciar a unidade brasileira da Generali Global Corporate & Commercial, criada globalmente em 2013 para atender clientes com faturamento acima de 25 milhões de euros. No Brasil, a área está sob comando de Werner Stettler, que tem em seu histórico profissional 28 anos na Zurich Seguros.

Outras seguradoras, com Tokio Marine, XL Catlin, AGCS, Liberty, Mitsui e Sompo também promoveram mudanças em suas estruturas para aguardarem a retomada dos investimentos.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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