Release/Revista Apólice
Em 2015, alguns países viram boas reduções de seus riscos políticos para 2016, de acordo com os resultados do Mapa Anual de Risco Político, desenvolvido pela Aon. O relatório analisa 168 mercados emergentes e mostra que, apesar do aumento dos riscos econômicos, causados pela baixa no preço de commodities, reformas políticas e econômicas ajudaram muitos mercados emergentes a reduzir os riscos políticos, de acordo com Karl Hennessy, presidente da Aon Broking e CEO da Aon Global Broking Centre em Londres. “Contudo, a fraqueza na economia global pode causar aumentos significantivos nos riscos políticos dentro dos países e efeitos colaterais em outros estados”, comentou o executivo no comunicado.
Para a Aon, a duradoura recessão no Brasil é um risco que se sobressai, especialmente porque será a sede dos Jogos Olímpicos de 2016. O País está classificado, hoje, como de “médio” risco no mapa. “No longo prazo, o ambiente de negócios está sendo enfraquecido pelo desempenho econômico ruim, e isso pode se tornar um problema cada vez maior para as empresas que operam no Brasil”, apontou Paul Domjan, diretor executivo da Roubini Global Economics, empresa que auxiliou a corretora a realizar a pesquisa. O especialista acrescenta ainda que “os mecanismos que poderiam amortecer a crise do Brasil estão se desgastando, e o potencial enraizamento da corrupção está trazendo danos com efeitos colaterais significativos, como casos que demandam trabalho pelas vias jurídicas e legais”, destacou.
O impacto dos preços de petróleo nos países que dependem dele economicamente, como Iraque, Rússia e Venezuela, é o maior risco para os investidores dos mercados emergentes em 2016, de acordo com o mapa. Já outros mercados, como a China, por exemplo, viu seu nível de risco ir de “médio-alto” para “médio”. Segundo a corretora, as medidas anticorrupção contribuíram para essa melhora no país. Mesmo assim, ainda há incertezas sobre a implantação dessas medidas, e os riscos permanecem “particularmente em torno da construção de uma maior alavancagem no sistema bancário chinês”, conforme o relatório. O reequilíbrio e desaceleração da segunda maior economia do mundo, deverá apresentar desafios para o vizinhos da China e seus principais parceiros comerciais, que podem experimentar maiores riscos políticos e econômicos de acordo com as mudanças no ritmo e composição do crescimento.
De acordo com o mapa, oito países – China, Etiópia, Haiti, Irã, Jamaica, Nepal, Paquistão e Servia – viram seus riscos serem reduzidos durante o ano passado, enquanto quatro outros – Cabo Verde, Micronésia, Filipinas e Suriname – viram esses mesmos riscos piorarem. O afrouxamento das sanções internacionais contra o Irã levou a uma redução em sua classificação de riscos políticos de “muito alto” para “alto”. “A reintrodução do Irã no mercado global irá aumentar o fornecimento de petróleo, e eventualmente o de gás, conforme o aumento de acesso a mercados estrangeiros, incluído a Europa”, comentou Rachel Ziemba, diretora executiva de pesquisa da Roubini Global Economics. “O Irã tem uma economia mais diversificada do que muitos outros países do Oriente Médio e da África e tem se esforçado mais para conseguir ajustar preços mais baixos de petróleo”, completou.