Em almoço do CVG-SP, presidente da FenaPrevi diz que educação financeira é o caminho para o crescimento do setor

Por Márcia Alves

cvgRecebido pelo presidente do CVG-SP, Dilmo B. Moreira, e pela diretoria, em almoço realizado na última quinta-feira, 27 de março, no Terraço Itália, o presidente da Federação Nacional de Previdência e Vida (FenaPrevi), Osvaldo Nascimento, apresentou uma completa análise do “Mercado de Seguro de Pessoas e a Previdência para 2014, na visão FenaPrevi”. Ele expôs um panorama do cenário econômico internacional e nacional, inclusive sobre a perspectiva futura, situando o Brasil e o seguro em posição privilegiada nesse contexto.

Cenário econômico

No cenário internacional, a perspectiva é de estabilização das economias. Em matéria de investimentos estrangeiros, o Brasil teve um bom fluxo de capitais de 2010 a 2012, quando saltou no ranking de investimentos da oitava posição para a quarta. Mas, Nascimento lembrou que essa condição pode sofrer o impacto do recente rebaixamento do país na avaliação da Standard & Poors. Entretanto, informou que o Brasil continua sendo uma boa opção para atração de capital estrangeiro e ainda permanece como um país classificado com o nível “investment graded”.

A deflação global é uma tendência, contrariada apenas pelos países emergentes, que apresentam inflação crescente na casa dos 6%. No caso do Brasil, ele entende que a redução da inflação não depende apenas da elevação da taxa de juros e tampouco do controle de preços de combustíveis, energia e transporte. A previsão é de que neste ano o PIB brasileiro se situe na faixa de 2%, aumentando um ponto percentual até 2016. Mesmo assim, continuará abaixo da média mundial de 4%, o que é preocupante. “Enquanto o país não conseguir sustentar níveis acima de 4%, a riqueza por habitante diminuirá, levando ao empobrecimento”, disse.

Fala-se muito do bônus demográfico brasileiro – período em que a população economicamente ativa (PEA) é maior do que a de inativos -, mas Nascimento alertou que essa condição positiva tem prazo de validade. Atualmente, a PEA (incluindo ocupados e desocupados) é superior a 60 milhões. Mas este número é resultado de projeção do IBGE a partir de pesquisa em seis regiões metropolitanas. A questão, segundo ele, é que a quantidade de pessoas disponíveis para o trabalho atingiu seu nível máximo e, a partir de 2020, a tendência é de declínio.

Seguro de pessoas

O presidente da FenaPrevi apresentou uma lista de propostas para desenvolver o segmento de seguro de pessoas, que fazem parte da agenda de discussões previstas entre as federações da CNseg e a Susep. No topo da lista está a distribuição, que tem como ações previstas a simplificação e o uso de meios remotos. “O caminho para aumentar a eficácia da distribuição são os meios eletrônicos, que facilitarão a entrega de produtos aos consumidores”, disse. Já o VGBL Saúde, segundo item, aguarda a aprovação do Projeto de Lei 7052/14 para entrar em operação, embora Nascimento considere desnecessário um projeto para iniciar a comercialização, necessitando apenas de regulamentação do CNSP e Susep.

Ainda pouco desenvolvido no país, o seguro de pessoas em regime de capitalização foi alvo de um projeto da FenaPrevi que deverá ser apreciado pela Susep. Com a aprovação, Nascimento acredita que produtos como o “Universal Life”, prioritário na agenda, não demore a entrar em operação. Outra proposta, mas direcionada ao governo em forma de projeto de lei, se refere ao patrimônio de afetação. O propósito será isolar o risco da seguradora do patrimônio da pessoa.

Segundo Nascimento, está em discussão na Susep a comercialização de produtos que levam em conta a situação financeira do cliente, chamados de “Suitability”. Em sua visão, a venda desses produtos depende do mapeamento das necessidades dos clientes e da preparação dos canais de distribuição, em especial o corretor. “Em alguns casos, o cidadão compra um produto de vida sem saber o que comprou e quem vende não sabe muito bem o que vendeu”, disse. Para evitar essa situação, ele aponta que o caminho está na combinação da educação financeira do consumidor acompanhada de programas de melhoria dos agentes de distribuição, investindo-se mais no pleno conhecimento das necessidades dos clientes “suitability”.

Outro plano é viabilizar a utilização de recursos de provisões como garantia acessória para empréstimos. A proposta integra o Projeto Lei de 6.723/13, que está em tramitação na Câmara dos Deputados. “Temos que adotar no Brasil os instrumentos que já existem em países desenvolvidos em previdência, em especial os empréstimos tendo as reservas de previdência como garantia”, disse.

Por fim, na lista de prioridades da FenaPrevi para o ramo de pessoas está a educação financeira. “Esta é a grande bandeira da CNseg. Se investirmos mais em educação do consumidor, o mercado crescerá como consequência. Propaganda de produto não faz o mercado crescer, mas a educação do consumidor, sim”, disse.

Desafios para o ramo de pessoas

Em 2013, a previdência enfrentou sua maior crise em 20 anos, com os resgates superando as contribuições, em determinado período. O motivo, segundo Nascimento, foi a volatilidade dos investimentos. “O alongamento na aplicação de recursos torna os investimentos voláteis, porque o Brasil não tem estabilidade na curva de juros de longo prazo”, explicou. Depois que a situação foi contornada no curto prazo, a proposta agora é aprovar junto ao governo regras de alongamento e desindexação para aplicação de recursos em fundos de investimento e em modalidade de renda fixa.

Além do crescimento expressivo do seguro prestamista, acima de 100%, e de outros, como auxilio funeral, o seguro de vida representa quase 50% dos prêmios. Mas, a penetração deste seguro ainda é baixa, o que faz Nascimento enxergar um “potencial astronômico” de crescimento. Ele também acredita no potencial do microsseguro, mas, devido ao obstáculo da distribuição, sugere que seja acoplado a programas sociais do governo, como o Bolsa Família.

O presidente da FenaPrevi reforçou a tese de que a educação é o caminho para o crescimento do ramo de pessoas, juntamente com a simplificação de produtos e da distribuição. Para ele, ainda falta ao mercado visibilidade clara das necessidades dos clientes. “Muitos não sabem que contam com coberturas do INSS e do DPVAT e então não sabem se precisam de coberturas adicionais de morte e de invalidez”, disse.

Segundo Nascimento, a evolução dos projetos relacionados à solvência, em especial regras de alocação de capital, são prioridades do setor para alinhamento com o mercado internacional. “O Brasil tem muito a avançar na dimensão regulatória do setor para continuar um porto atrativo de investimentos”, concluiu.

No encerramento do evento, Dilmo B. Moreira comentou que a indústria de seguros tem grande papel na educação financeira. “Nos cursos do CVG-SP, além da formação técnica, sempre reforçamos a importância de os alunos atuarem como multiplicadores junto à família e aos amigos, levando a mensagem sobre a proteção do seguro”, disse.

Em seguida, o presidente do CVG-SP registrou a presença do presidente eleito do Sincor-SP, Alexandre Camillo, um dia depois da eleição, cumprimentando-o pela vitória. Em breve pronunciamento, Camillo agradeceu os apoios recebidos para as suas propostas de gestão e informou sobre o início de uma nova etapa na entidade dos corretores.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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