Pronto para crescer em 2010?*

*Artigo escrito para a revista Apólice, edição 11/2009, direcionado aos corretores de seguros
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Planejar e investir em 2010. Este assunto faz parte da agenda da maioria das pessoas no mundo. Afinal, estamos em tempos de mudanças. E quem quiser mudar algo, tem de ter atitudes. Fazer a lista de sonhos e traçar os caminhos para concretizá-los é o primeiro passo.

Eis aqui um bom serviço para o corretor de seguros prestar aos seus clientes. Afinal, prestar um bom serviço é a chave do sucesso de uma empresa sustentável. Que tal fazer um resumo de tudo e dar subsídios para que cada um possa tomar a melhor decisão para aumentar e proteger o patrimônio já conquistado?

Bem, o primeiro conselho dos especialistas para realizar um plano financeiro de sucesso é organização, dedicação e definição de metas. Comprar carro novo, trocar de apartamento, investir na educação do filho, onde desfrutar aqueles bem merecidos dias de férias. Todos esses desejos podem ser bem planejados. Separar o que é curto, médio e longo prazo aumentará as chances de sucesso.

Para todos eles, poupar é recomendação número um. Quem tem dinheiro em caixa vai conseguir negociar muito melhor. No curto prazo, a saída pode ser a poupança, uma vez que o governo desistiu de taxar o rendimento da tradicional aplicação. Com rendimento de 6% ao ano mais a variação da Taxa Referencial, trata-se de um bom porto seguro para aquele dinheiro reservado para emergências do dia a dia.

Tenha vários dias de vencimento para não precisar sacar antes dos 30 dias de carência para o crédito do rendimento.

As aplicações de médio e longo prazos merecem uma avaliação mais cuidadosa dos indicadores econômicos. O economista chefe da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, acredita no aumento da Selic em 2010, a taxa básica de juros da economia brasileira. O acréscimo ao atuar patamar de 8,75% ano pode se dar, caso o mostro da inflação mostre sinais vitais de ataque.

O que determinará o aumento da Selic será o incremento do consumo acima da capacidade de oferta das indústrias. Este cenário poderá ocorrer em 2010 porque os bancos estão determinados a conquistar clientes interessados em pagar taxas de juros para antecipar o sonho de consumo. Como as indústrias suspenderam os investimentos planejados em 2008 em razão da crise financeira, a capacidade instalada de produção é menor do que o apetite do consumidor. Além da infinita lista de desejos, o brasileiro será estimulado por taxas de juros acessíveis e prazo longo para quitar sua dívida.

Como o Brasil é a bola da vez em todo o mundo, com uma avalanche de recursos entrando no País, os investimentos das indústrias saem da gaveta para atender a demanda de um País em franco crescimento. E que ainda teve a sorte de ser escolhido como o anfitrião da Copa 2014 e Olimpíadas 2016. Imagina o volume de investimento e de empregos que isto vai gerar?

Para se ter uma idéia, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto do Brasil está entre 4,5% e 5% para 2010, um ano projetado onde Estados Unidos e Europa ainda estarão se recuperando dos estragos da crise. Este atraente cenário interno facilita a captação de recursos pelas empresas para investir em produção. Por isso, todos os economistas descartam um aumento substancial da Selic, com expectativa de encerrar o próximo ano em 10,75%. “Teremos apenas uma correção de rota”, diz Roberto Texeira da Costa, economista da SulAmérica.

Quem quiser ter uma rentabilidade maior em seus investimentos precisará avançar num território mais arriscado: as ações. Depois de amargar desvalorização de 41% em 2008, o índice Ibovespa acumula valorização superior a 70% neste ano até outubro. Este risco, no entanto, pode ser mitigado se houver algum conhecimento para escolher as empresas com maior tendência de ganho.

Companhias do setor de serviços, elétrico, bancos, construção e infraestrutura são as vedetes para o próximo ano. Roberto Kropp, responsável pela gestão de recursos do Banco Daycoval, as empresas do setor imobiliário ainda tem possibilidade de ganho no valor das ações. “Este é um setor que promete crescer muito no Brasil e o preço das ações não chegou ainda no teto”, diz. Para quem quer correr menos risco, o conselho é entender quatro números prioritários dos balanços das empresas. Ebitda, lucro antes dos impostos, depreciação e desvalorização; ROE, valor que os acionistas obtiveram de retorno sobre o dinheiro investido no negócio; e endividamento, que é a relação de dívidas em relação ao ativo; solvência – a capacidade de a empresa honrar seus compromissos.

A oferta na Bolsa de Valores de São Paulo também deverá aumentar significativamente. Segundo Lucy Sousa, presidente da Apimec Nacional (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais), prevê a entrada de várias novas empresas na Bovespa em 2010, ampliando a oferta aos investidores. Ela acredita que a taxação do IOF pelo governo para tentar controlar a desvalorização do dólar frente ao real não será suficiente para inibir a entrada de recursos no País. “Os investidores que têm interesse no longo prazo vão permanecer”, diz.

Já um setor em que os analistas evitarão em 2010 é o de empresas ligadas ao comércio exterior. Isso porque a projeção é de que o dólar continue fraco em relação ao real. Um problema? Sim, para o Brasil em razão das commodities e todo o mundo em razão do desequilíbrio que esta relação pode trazer para a balança comercial. Para pessoas comuns, uma solução. Quem sonhava em viajar para o exterior, deve aproveitar este momento de dólar fraco para planejar as férias. O Bradesco reduziu as estimativas para o câmbio. Para 2010, a previsão passou de R$ 1,75 para R$ 1,65. É isso.

Para atingir seus objetivos, não há outra saída: é preciso suar a camisa colocando o plano em prática. Insista. Pois cultura de planejamento financeiro no Brasil ainda faz parte da lista de reformas que precisa pegar no tranco. A maioria dos brasileiros tem dificuldade em dar o primeiro passo. Mas quando dão, o céu é o limite.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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